Luiz Gasparetto - Eu Comigo
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Amar o que eu sou, todo indivisível que constitui o ser e o acontecer do meu corpo, no espaço e no tempo … Amar as coisas que eu estou fazendo e o modo como eu as faço ...
Amar as minhas limitações, como amo as minhas possibilidades ... "
E nos meus acertos e erros, amar o projeto que vai se transformando em obra no trabalho da construção de mim mesmo. Amar-me como eu estou aqui e agora, vivendo a vida simplesmente, naturalmente, com o ar que eu respiro, o chão que eu piso, as estrelas que eu sonho …
As vezes gostar de mim é um desafio, uma prova de fogo que revela se eu realmente me amo, ou apenas finjo amar-me … Gostar de mim na perda, quando a vida me fecha uma porta, sem nenhum aviso ou explicação … Gostar de mim quando erro, quando fracasso, quando não dou conta quando não faço bem feito e ainda encontro quem me critique ou
zombe de mim por eu ter sido apenas o que sou:
limitado, vulnerável, imperfeito, humano. Gostar de mim no fundo do poço, cabeça a mil, coração a zero, e ainda assim ser capaz de ouvir e respeitar as referências do meu próprio corpo como um amigo fiel, atento e carinhoso … Eu me relaciono com as outras pessoas
do mesmo modo como eu me relaciono comigo …
Se eu me amo, não sei te odiar … Se eu me odeio, não sei te amar … Se eu me desprezo, não sei te respeitar … Se eu me respeito, não sei te desprezar … Como eu te aceito, se eu me rejeito? Como eu te rejeitar, se eu me aceito? Celebro no amor a mim mesmo o nascimento do amor pelo meu próximo!

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